O pior de ser cego é nao querer ver




Por alguns minutos, hoje, fiquei segurando meu sobrinho que tem sete dias de vida. Fique reparando na dificuldade que ele ainda tem em abrir os olhinhos. E é claro que eu não podia deixar escapar essa. Fui logo pegar a câmera para registrar os primeiros momentos do pequeno Nikolas.


Depois fiquei olhando para a foto e lembrando de quando eu renasci. De quando eu comecei a enxergar a luz e o claro; De quando tudo começou a fazer sentido quando alguém tirou a máscara dos meus olhos.


Ao mesmo tempo que a luz era boa, no começo incomodava e algumas vezes doía tentar se acostumar com ela. Era difícil de acreditar na realidade, ou me preparar para o que estava prestes a ver. Eu iria realmente deixar a facilidade da escuridão, a solidão da luz apagada, as quatro paredes vazias e pretas sem um propósito...


E quando a ofuscação passou ? Tudo novo, tudo belo, tudo poesia. Reconhecimento do Pai, conhecimento verdadeiro das pessoas mais próximas e simplesmente de mim. Saber que eu tenho mãos, pernas e braços, e que sou igual a todos que um dia eu excluí.


Poderiam jogar as fotografias que tiraram de mim de olhos fechados na minha cara quantas vezes quisessem. Eu continuaria dizendo: " Foi de lá que eu saí, o que eu sou hoje representa a minha fé, a minha coragem e minha verdadeira felicidade e força, DEUS".


I Coríntios 2:9 - mas, como está escrito: Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam .

2 comentários:

Rute Vieira disse...

Primeiro, seu sobrinho é muuuuuito fofo!
Segundo, esse texto me lembrou "O Mito da Caverna", de Platão. Quando estamos dentro da caverna, tudo o que vemos é a parede a nossa frente. Olhar para luz bruscamente, poderia nos deixar cegos. Mas uma vez que conhecemos a luz, jamais queremos voltar à escuridão. E além disso, o nosso proprósito é trazaer outras pessoas para luz.
Uma ótima reflexão, Babi!
Beijos

Caio Coletti disse...

:O A menina aí em cima disse bem, o Mito da Caverna me veio na cabeça no instante em que comecei a ler seu texto (brilhante, como sempre, diga-se de passagem). Acho que é mesmo uma mensagem válida: ter consciência de si mesmo e das pessoas a sua volta, saber como ser o melhor possível para si mesmo e para elas, não julgar as pessoas (anônimas OU famosas, diga-se de passagem) pelas falhas, porque é sempre bom lembrar que você também tem as suas, e sim pelas qualidades, porque são elas que fazem a diferença nesse mundo.

Certo? Beijo Babi! :D

P.S.: Segunda-feira seu texto está lá no Anagrama! :D

 
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